Projeto “Trem Bala” Rio-São Paulo. Vai acontecer mesmo?


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Mesmo com muitos problemas sociais e de infra-estrutura, que deveriam ser prioridade, o Brasil está cada vez mais próximo de dar início a construção do Trem de Alta Velocidade Rio-São Paulo. O projeto, que visa ligar as duas capitais mais importantes do país, terá também estações na cidade de Campinas, Jundiaí, São José dos Campos, Resende e Barra Mansa.

Trem Bala no Brasil

Trem Bala no Brasil

O início da construção de um trem bala no Brasil marcará a entrada do país em um seleto grupo de nações que possuem esse tipo de transporte sofisticado, mas isso não tem apenas aspectos positivos, visto que, de todos os países que investiram no trem de alta velocidade, nenhum conseguiu sair ileso às dividas e grandes atrasos nas construções. A intenção do Governo Federal é que o trem esteja pronto até as olimpíadas de 2016, que serão realizadas na cidade do Rio de Janeiro, entretanto, atrasos na criação de um edital para as licitações, que deveriam ser apresentados em outubro de 2009, comprometeram o prazo de início das obras. Sendo assim, o trem já não ficará pronto para ser utilizado durante a copa do mundo, em 2014, outro desejo do Governo. Num projeto dessa complexidade, tal fato já demonstra no mínimo falta de planejamento – como será então quando as obras começarem? –. Muitas empresas estrangeiras, de renome mundial, entraram na disputa da licitação do projeto, entre elas estão a Mitsui, Toshiba, Mitsubishi, Siemens e a Alstom. Porém, o Governo exige que os consórcios estrangeiros se associem a empresas brasileiras para a realização dessa empreitada.

O custo da viagem no “Trem Bala” está sendo sondado por volta de R$ 200,00 e o trajeto será realizado em aproximadamente 93 minutos. Em uma pesquisa realizada pelo IBOPE, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, quando perguntado aos habitantes das cidades sobre o trem, 85% dos entrevistados optariam pelo transporte, se o mesmo já estivesse em funcionamento, e 71% responderam que se o trem já estivesse pronto visitariam o estado vizinho com mais freqüência. Muitos ainda responderam que mesmo se as passagens aéreas custassem um valor inferior às passagens do trem, eles optariam por viajar pela ferrovia (desde que o valor da passagem fosse até R$ 120,00). Mas e a pergunta crucial: “Ei, cidadãos, vocês querem que os investimentos sejam concentrados em uma obra ‘para estrangeiro ver’ ou em urbanismo, infra-estrutura, educação, saneamento básico?” – essa, como sempre, não foi feita.

Em recente reportagem, a Revista Exame acompanhou a rotina de uma nordestina, que mora em São Paulo e gasta mais tempo no deslocamento casa-trabalho-casa do que no próprio trabalho, um reflexo do descaso com o transporte público e com o trabalhador que paga os impostos. Apesar de o governo alardear aos quatro ventos que a classe C brasileira emergiu como nunca, parece que ninguém leva em conta a via crúcis diária dessas pessoas. Falta ônibus, metrô, calçadas…

Em relação aos impactos ambientais, o presidente do Ibama afirma que não haverá complicações, pois serão construídos viadutos, o que aparentemente ajuda a minimizar os danos a natureza. Entretanto, a Serra do Mar onde serão feitos os viadutos é um dos poucos pontos restantes de Mata Atlântica no Brasil. Será que o impacto ambiental gerado com a construção do trem não afetará o meio ambiente, levando em consideração o fato de que atualmente apenas 7% do total de Mata Atlântica ainda é preservado? – a resposta verdadeira para a questão ambiental é que não se tem a medida certa do impacto que uma construção desse porte pode causar.

Diversos segmentos de transporte apresentam também suas críticas em relação ao trem bala. A ABAG (Associação Brasileira de Aviação Geral) alega que a desativação do campo de marte para a construção de uma das estações, traria prejuízos financeiros à aviação executiva e seus usuários na cidade de São Paulo. Já especialistas em economia, alegam que existem inviabilidades no projeto, pois o número de passageiros iria quadriplicar em poucos anos, fazendo com que o fluxo ocorresse só pelos trilhos, abandonando assim aviões, ônibus e carros.

O orçamento para a construção do Trem Bala ficou em torno de R$ 35 bilhões, e a Casa Civil anunciou que agora vai reiniciar o processo de licitação. Porém, as estradas brasileiras continuam defasadas e o Governo Federal alega que não existe verba suficiente para uma reforma. Muitos aeroportos nacionais possuem pistas de pouso ultrapassadas e sua estrutura para a recepção de vôos internacionais e até mesmo domésticos, é péssima. O mesmo vale para as rodoviárias, que possuem um péssimo espaço físico e precisam urgentemente de reformas. Seria realmente correto investir em um novo meio de transporte sabendo que os já existentes funcionam de forma precária? Talvez, investir em melhorias nos meios de transportes que já funcionam seria mais rápido e menos custoso, além de “sobrar dinheiro” para o investimento em educação e saúde, coisa que nosso país tem priorizado pouco.

Congestionamento nas Ruas do Brasil

Congestionamento nas Ruas do Brasil

E você, o que acha de tudo isso? Qual a sua opinião sobre a construção do trem bala brasileiro? Nosso país tem mesmo condições de manter um sistema de transporte de última geração? Não seria mais importante investir em áreas como educação, saúde e infra-estrutura? Deixe aqui a sua opinião! A FalaTurista abre espaço para você escrever.

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Sobre Flávio José
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Formado em Relações Públicas pela PUC/PR. Autor de artigos relacionados ao turismo, música e diversão. Adora viajar e conhecer novos lugares e culturas. Casado há 2 anos. Residente em Curitiba

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